QUESTÃO CENTRAL

* Formas de interpretar

A forma como se lê a Bíblia, eis a questão central para se desmistificar ”verdades” que se tem apregoado com tanta ferocidade, principalmente em relação à homossexualidade. Todos sabem de cor quais os textos bíblicos usados freqüentemente para condenar os homossexuais. O que devemos nos perguntar é: “Como tem sido feita a interpretação destes textos?” “Como determinar o que realmente querem dizer?”

Interpretar é determinar o sentido de um texto. Assim sendo, não há leitura da Bíblia, ou de qualquer outra obra, sem interpretação. É fundamental atentar para um aspecto da interpretação quando lidamos com textos antigos, como é o caso da Bíblia Sagrada – As palavras podem mudar permanentemente de significado, isto porque os idiomas são coisas mutáveis, dinâmicas. As palavras podem ter um significado hoje diferente daquele que tinha á época em que foram escritas.

Tomemos um exemplo da própria Bíblia. Em três dos Evangelhos – Mateus 19:24, Marcos 10:25 e Lucas 18:25 – Jesus diz: “É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus.” Nestas passagens a mensagem parece clara: nenhum rico poderá entrar no paraíso, visto que nenhum camelo pode passar através do buraco de uma agulha.

Mas, alguns estudiosos afirmam que, em Jerusalém, havia um portão muito baixo e estreito, a ponto que, quando uma caravana entrava por ele, os camelos tinham de ser descarregados e passar de joelhos; ao atravessarem eram novamente carregados do lado de dentro. Aquele portão chamava-se “o buraco da agulha”.

Logo, o que Jesus estava dizendo? Ao compreendermos melhor o mundo, a realidade e e as circunstâncias em que Ele viveu, o significado de suas palavras passa a ser mais claro. Jesus dizia simplesmente que seria difícil para os ricos entrarem no paraíso. Primeiro eles teriam de se livrar de suas preocupações materiais. Novamente, Jesus estava pregando a mensagem sobre simplicidade, sinceridade e dedicação contida em seu Sermão da Montanha.

Então, pense bem:

E se considerações desta mesma ordem se aplicarem também aos textos bíblicos sobre a homossexualidade? Você não acha que, muito provavelmente, eles signifiquem coisas diferentes daquelas que costumeiramente ouvimos?

 

* A interpretação literal e a leitura histórico-crítica

A interpretação literal afirma entender o texto unicamente conforme o que ele diz. Esta é aabordagem fundamentalista. Ela afirma não interpretar o texto, mas simplesmente lê-lo como ele é. Entretanto, é claro que até mesmo o fundamentalismo segue uma regra de interpretação. Esta regra, simples e fácil, diz que a significação do texto é dada no presente por quem o lê.

Outra abordagem, é a histórico-crítica. Esta afirma que a significação do texto é dada por aquele que o escreveu no passado. Para afirmar qual é o ensinamento dado pelo texto bíblico hoje, primeiro é preciso compreendê-lo em sua situação original e então transportar seu significado para o presente.

Apesar de ouvirmos com mais freqüência apenas a abordagem fundamentalista, todas as principais igrejas cristãs apóiam o método histórico-crítico. Portanto, o argumento apresentado aqui já existia antes mesmo do fundamentalismo, que surgiu em parte como uma oposição a ele.

É evidente que algumas igrejas rejeitam o método histórico-crítico quando tratam dos textos bíblicos sobre a homossexualidade, pois o estudo histórico-crítico da Bíblia geralmente coloca por terra algumas interpretações tradicionais.

 



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